© ERIC COSTA

Qua 1 e Qui 2 Ago | 22:30 | Igreja de St. António

SUSANA VIDAL
BOMBAS 

(ou agonias para estes tempos felizes de crises)

remontagem especial




Texto e encenação Susana Vidal Interpretação Carla Ribeiro, Maria João Garcia, Susana Vidal e Sara de Castro (vídeos) Cenografia Eric Costa Montagem David Palma e Eric Costa Vídeo Cláudia Tomaz e Artica Creative Computing Desenho de luz B Negativo Associação Cultural Produção B Negativo Associação Cultural Co-produtores EGEAC; EEM - Cinema São Jorge e Festival Temps d’Images Apoios Museu da Eletricidade, Casa Conveniente, Artica Creative Computing

Projecto financiado por Direcção-Geral das Artes/Secretário de Estado da Cultura

> O espectador define o preço do bilhete
APÓS “Bombas (ou morrer durante uma semana)” e “Bombas (ou pequenas explosões a sós)”, chegou “Bombas (ou agonias para estes tempos felizes de crises)”. Este espectáculo é a última parte da trilogia “Bombas”. É aqui, onde tudo se reduz ao mínimo para dedicar a atenção ao discurso que se radicaliza e se expõe como finalização dum caminho cheio de erros, forças e fragilidades. Este espectáculo é a conclusão de uma procura onde tudo se questionou como material inflamável. 
"Bombas (ou agonias para estes tempos felizes de crises) ” é um trabalho em agonia, que tem o objectivo de furar o nosso estar e nos deixar uma bomba nas mãos para rebentar mais tarde. É a desolação após a explosão, a terra queimada em que nada nasce, a bomba como metáfora da bomba que somos, da bomba que carrega o nosso corpo. É como se nos obrigassem a ser felizes e nós vamos automutilando-nos. Ficamos nos tempos mortos aonde tudo fica suspenso à espera do momento certo da explosão.
"Bombas" é uma derrota intimista e ao mesmo tempo um grito de resistência. “Sou eu, outra vez forte” – diz uma das actrizes carregada de dinamite.
Um espaço de trevas e de sombras onde os corpos se despem e se perdem no meio do lixo negro, do carvão negro, do papel negro. No meio de terra queimada surgem três mulheres como odaliscas à beira da morte, que despem a morte e a vida devagarinho e de sorriso feito.
"Éramos tão felizes com a bomba ao peito”- diz uma das actrizes aos gritos. Uma derrota dos fortes, uma derrota que cabe entre os buracos perdidos pelo corpo que dói e se expõe sem assinaturas nem brochuras.
Elas, com as obsessões de quem já perdeu tudo, ou quase tudo. Um passeio de memórias putas que não sabem mentir e que não nos deixam continuar a viver.
"Bombas" é um espectáculo dissidente, essa é a sua melhor apresentação e a melhor explicação para ser ou não ser.

SE ESTA BOMBA fosse real, gritavas ou choravas?
Porque tenho que levar a bomba ao peito hoje.
Porque já não posso ouvir falar em economia.
Porque não tenho outra arma senão meu corpo enxuto para explodir, mesmo enxuto com carne suficiente para espalhar entre a vossa.
Agarrem nas bombas, ponham um colete ao peito e corram.
Está tudo armadilhado...este lugar é uma bomba prestes a explodir.
SUSANA VIDAL