©  HUGO COSTA PRATAS

Qui 26 e Sex 27 Jul | 22:30 | Teatro Esther de Carvalho

TEATRO DA GARAGEM
RECUSA
estreia








Texto e encenação Carlos J. Pessoa
Interpretação Ana Palma, Emanuel Arada, Maria João Vicente, Mariana Guarda, Miguel Mendes, Nuno Nolasco e Nuno Pinheiro
Cenografia e figurinos Sérgio Loureiro Música Daniel Cervantes
Direcção de produção Maria João Vicente

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NÃO FAÇO IDEIA PORQUE DISSE NÃO. Disse não? Disse sim?
Por vezes volto-me para dentro e encontro coisas, bichos e sensações.

Tenho a casa toda desarrumada.
Até aqui tudo bem. Parece-me correcto começar assim.
Apanhar borboletas, apanhar pó, apanhar fantasmas. As palavras nunca me dizem o mesmo, parecem-me, vivas, como as crianças. Se calhar deveriam haver normas de conduta, valores, a ensinar às crianças, como bandeiras de boa educação, de honradez. Isto é, sempre, um bocadinho vago. Mais vale ir com calma.
De seguida passamos à estação seguinte e desato a rir! A rir, a saltar, a saltitar, a tremer de frio… Tudo inútil, se calhar. Não há beleza? Feio é belo, belo é feio, tudo é tudo, nada é nada? Não há Humanidade? Não existe Portugal, Europa, o Mundo?
E São Petersburgo, existe?
Para se ser livre tem de se estar só, mas estar só é estar acompanhado de, pelo menos, alguém que dê pela nossa solidão; a partir daqui é fácil compreender o amor, os atrasos, os disparates e até os animais de estimação! Estar só é a fachada do não; da recusa; dessa força interior que, por vezes, mobiliza montanhas; que faz da grandeza um punhado de terra, ou de uma estrela-do-mar, a surpresa meiga da maré baixa.
Neste tempo de cogitações, tão rápidas, que mais parecem ataques de soluços, as pedras têm um lugar especial no meu coração.
Não suspeito de nada, nem de ninguém. Estou, por conseguinte, aberto a sugestões: ao horror e ao espanto que nunca imaginei poder experimentar, na perplexidade do mundo.
Dormi até ficar dormente; talvez tenha flutuado mas isso parece-me pouco provável.

Post scriptum: Penso que devo recusar a extinção institucional do Citemor.
Se o Citemor tiver que morrer, que não morra de esmolas, que morra com dignidade; que morra porque os artistas se calaram ou, então, porque o Armando Valente e o Vasco Neves deixaram de os querer ouvir.
CARLOS J. PESSOA