COIMBRA

Sex 5 Ago | 21:30 | TCSB

Sex 5 Ago | 23:00 | TCSB
[concerto]

Sáb 6 Ago | 21:30 | TCSB

MONTEMOR-O-VELHO


Sex 12, Sáb 13, Sex 19 e Sáb 20 Ago |
das 18:00 às 22:00 | Junta de Freguesia

Sex 12 Ago | 22:30 | TEC

Sex 19 Ago | 22:30 | TEC

Sáb 20 Ago | 22:30 | TEC
[concerto]


























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Sex 12 Ago | 22:30 | Teatro Esther de Carvalho

CONVERSAS FICTÍCIAS
IGNASI DUARTE com GONÇALO M. TAVARES
Ignasi Duarte
© CF


Um escritor responde em cena a perguntas que ele mesmo formulou a personagens das suas obras.

Primeira aproximação ao teatro automático

Quando decidi baptizar os meus argumentos teatrais com o nome de automáticos, e daí essa etiqueta de teatro automático -algo pomposa e, talvez, susceptível de gerar demasiadas expectativas-, foi exclusivamente porque a ideia de automático me remetia para o mecanismo de um revólver. Dias depois -prossegui com a analogia-, os atributos de um revólver revelaram semelhanças com aspectos intimamente relacionados com o teatro, como estava a tratar de redefini-lo há vários meses. O teatro, entendido como um artefacto portátil, directo, espontâneo, eficaz, letal, intrigante, etc., possuía inegáveis similitudes com uma máquina de matar.

“O meu pai levou-me uma tarde ao circo. Eu era pequeno e inocente, teria uns quatro anos. Depois de uns números de palhaços e animais dos quais nem me recordo, uma rapariga jovem subiu com grande agilidade por uma corda até um trapézio altissímo, que eu até molhei as calças. Baloiçou-se no ar, deu duas ou três piruetas, e numa delas escorregou do trapézio e caiu no vazio atravessando a rede. O público gritou, ela ficou estendida no solo, manchando de sangue a arena. Durante muito tempo, na minha inocência, acreditava que isso era o circo e também o teatro: todas as noites uma rapariga subia até ao trapézio para se precipitar no vazio, sempre uma diferente, sempre algo novo, irrepetível e perigoso”.

Esta história de George Tabori revista no prólogo do seu livro “Teatro es teatro es teatro” define na perfeição como eu concebo o teatro e exemplifica o motivo pelo qual tenho dedicado tantas horas na busca de uma mecânica cénica que possibilite a execução do que defeni como teatro automático. Um género que desejo inaugurar com uma prática que consiste simplesmente, em manter uma conversa em cena seguindo uma pauta muito simples que permita aos intérpretes elaborar, de forma espontânea e autónoma, o seu próprio discurso dramático. Com a intenção de que este, como a trapezista de Tabori, se converta em algo novo todos os dias, em algo imprevisível. Um discurso articulado no vazio e sempre ameaçado de morte, perante o olhar atónito do público.

O palco representa uma derrota. A derrota do indivíduo perante a sua incapacidade para controlar os acontecimentos, o devir. A vida e a morte.
Conversas fictícias é a primeira aproximação à ideia de um teatro automático, fundamentada, como dizia, numa conversa em que os dois interlocutores assumem papéis bem distintos: um dirige a conversa fazendo perguntas, enquanto que o outro unicamente responde. Um jogo com apenas uma regra.
Eu dirigo o interrogatório formulando a um escritor perguntas que ele mesmo escreveu para as personagens das suas obras; perguntas todas elas contidas nos seus livros. É assim que me transformo numa espécie de doppelgänger que devolve ao escritor a sua imagem reflectida em cada uma das perguntas que lança. Deste modo, o autor não elaborará o discurso partindo da sua literatura, mas respondendo às perguntas reescreverá a sua obra, refundando-a num novo relato cénico. O escritor torna-se então actor do seu próprio drama: a sua ficção aprisiona-o e converte-o em mais um dos seus personagens. E por detrás da máscara goza de maior liberdade para responder a questões por vezes comprometedoras que, tempo atrás, deixou por resolver, endosando-as às suas personagens.
Uma tentativa de (re)escritura escénica onde a dramaturgia se constrói ao vivo: impossível de ensaiar, impossível de simular, impossível falhar. Um relato que nenhum dos dois intérpretes sabe até onde pode ir nem como se desenvolverá.
Conversas fictícias é um exercício de apropriação literária cuja finalidade não é representar ou adaptar um texto à cena, mas obter um novo relato a partir da mesma literatura, dos seus restos. Um posicionamento que revela a natureza do projecto como um instrumento de criação em si mesmo.
IGNASI DUARTE 


Autor do projecto e Interpretação Ignasi Duarte
Escritor convidado Gonçalo M. Tavares



60 min
M/16