COIMBRA

Sex 5 Ago | 21:30 | TCSB

Sex 5 Ago | 23:00 | TCSB
[concerto]

Sáb 6 Ago | 21:30 | TCSB

MONTEMOR-O-VELHO


Sex 12, Sáb 13, Sex 19 e Sáb 20 Ago |
das 18:00 às 22:00 | Junta de Freguesia

Sex 12 Ago | 22:30 | TEC

Sex 19 Ago | 22:30 | TEC

Sáb 20 Ago | 22:30 | TEC
[concerto]














No acesso a todos os espectáculos 
é o espectador que define o preço
do bilhete 


Reservas:
telefone: 926 962 795 (14:00//20:00)
e-mail: reservas@citemor.com









Sáb 13 Ago | 22:30 | Sala B

MB#6
MIGUEL BONNEVILLE
Miguel Bonneville
© Miguel Bonneville


Faz oito anos que estreei esta performance e não me canso dela. Continua a fazer sentido apresentá-la, contrariamente à maioria das performances desta série. É como uma passagem de um livro, ou um poema, ao qual regressamos sempre porque nos diz sempre alguma coisa importante sobre a nossa vida nesse momento.

2008, o ano em que concebi e apresentei a performance, foi o ano oficial do início da crise política e económica. Mas para mim, foi precisamente o contrario: foi um ano que marcou o início do fim da minha crise emocional. Foi o ano em que comecei a ler Beauvoir, foi o ano em que decidi deixar para trás as minhas relações falhadas e tortuosas, em que revelei o pior segredo da minha vida.

E, olhando para trás, começo a pensar se, para esta performance, aquela famosa frase “não se nasce mulher, torna-se mulher”, não pode ter sido mais do que decisiva.

A minha relação com as mulheres sempre foi de uma imensa cumplicidade, e de uma partilha e compreensão profundas. Não terá sido então esse o meu impulso – que esteve sempre latente -, o de, através destas seis mulheres (minhas amigas, conhecidas, artistas, irmãs) eu me tornar mulher?

Talvez seja por isso que continue a fazer sentido apresentá-la uma e outra vez, visto que tornar-se mulher significa pensar e repensar sobre o que é ser-se mulher.

As autobiografias feitas por mulheres sempre foram, ao longo da história, vistas como incompletas, descontinuas, incoerentes, fragmentadas ou privadas. Vejo assim também o meu trabalho, pois sei que uma autobiografia coerente, contínua e narrativa é uma impossibilidade. Será sempre incompleta, em contínua transformação e regenerando-se.

Um ritual, uma possessão, esta performance oficializa a minha passagem de uma consciência intuitiva para uma consciência assinada. 

MB#6 constantemente a tornar-me mulher, com o maior dos prazeres.



Concepção e Interpretação Miguel Bonneville
Colaboração Sofia Arriscado, Joana Craveiro, Joana Linda, Rita Só, Cláudia Varejão, Sara Vaz
Edição de vídeo Sofia Arriscado
Design Inês Ferreira, Joana Linda
Fotografia de Cena Ynaiê Dawson
Apoio Eira
Co-Produção Dupla Cena