OLGA MESA

RESIDÊNCIA / ANTESTREIA

QUI 3 AGO 21:30 | TEATRO DA CERCA DE SÃO BERNARDO - COIMBRA

© PATRICK LAMBIN

Esta história, originalmente marcada pela "intimidade confinada" da primavera de 2020, está ancorada num imaginário feminino fortemente afirmado onde, como os personagens de um diálogo sonhado, se cruzam várias figuras femininas inspiradoras (Virginia Woolf, Olga Preobrajenskaïa, Isadora Duncan...), a que se juntam presenças mais quotidianas: mãe, irmã, amiga...

A ideia de uma "cartografia" não é alheia a este projeto: Olga constrói uma paisagem em movimento que representa os lugares de uma sensibilidade ao mesmo tempo pessoal e coletiva: estes lugares são os da nossa fragilidade, da nossa presença diante das coisas do mundo que vêm e que logo desaparecem.

“Invento uma prática para aprender a respirar enquanto escrevo: escrevo e falo ao mesmo tempo. Insisto no ato espontâneo e militante de escrever em voz alta, filmar e mover-me com uma câmara na mão. Começo a imaginar-me a mim mesma a observar novamente uma guerra em miniatura, porém desta vez não estarei deitada num canto, nem rodeada em lágrimas azuis (não) visíveis (1).

Começo a escrever esta narração coreográfica no espaço real, em torno das sequências cinematográficas premonitórias que tenho vindo a filmar desde o início desta história. Respiramos juntas no mesmo espaço, mas isso acontecerá no futuro. Estou a construir uma cartografia de presenças que nos transportem para esse horizonte que busco, um horizonte de resistência(s) à escala humana e íntima.

Observo o desejo de escapar à imagem do meu corpo para invocar os corpos dos outros. Quando gravo as marcas da minha presença, sou testemunho da sua efêmera pulsação, fora do campo do visível. Conspiro com o espectador a visão do ar que nos eleva, o ar que nos expande, o ar que nos aproxima da luz cega que me obsessiona.

Exploro o ato íntimo de me ver dançar, para entrar em contato com outras presenças que me acompanham nesta viagem de homenagens e cumplicidades. No final, esta "Mesa Propia" não será um solo. Tampouco será uma autobiografia. No final, esta "Mesa" pertencerá a uma constelação de sonhos e visões partilhadas. Enquanto continuo a avançar com a minha dança de mãos, continuarei a olhar atentamente através da janela do meu quarto para me preparar uma vez mais a dar o grande salto (2). Sem dúvida, "aqui e agora", tudo ficará gravado!

 

(1) e (2): referências ao seu último solo "Solo a ciegas (con lágrimas azules)", Lisboa 2008.




Concepção, coregrafía e interpretação: Olga Mesa

Colaborações: CDCN PôleSud (Estrasburgo), CCN de Tours, CCAM Scène Nationale de Vandoeuvre-lès-Nancy, LABoral, Centro de arte y creación industrial (Gijón), Fundación By Art Matters (Hangzhou, China), INACT, Festival des Arts Mutants (Estrasburgo), Festival Citemor.

Apoios: Ministério de Cultura - DRAC GrandEst, Región GrandEst.

Conceção, coreografia, direção cénica e filmagens, textos e interpretação: Olga Mesa

Coordenação técnica e geral e luzes de cena: Santiago Rodriguez Tricot

Assistência dispositivo teatral, montagem e técnica vídeo: Marta Blanco

Espacialização e técnica de som geral: Frédéric Apffel

Orientação dos dispositivos audiovisuais: Francisco Ruiz de Infante

Orientação dramaturgia Roberto Fratini Serafide

Mirada exterior Irène Filiberti

Difusão Pierre Kiener

Produção: cie Hors Champ // Fuera de Campo

Agradecimentos: APBC, CAPC e Bonifrates

 

Estreia: 11 e 12 de Janeiro de 2024, CDCN PôleSud, Estrasburgo



M/14; 80'