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Ensaiar palavras, ligar degraus, contemplar e imaginar o subir e o descer de imagens enciplopédicas
PROPOSTA DE TÍTULO MODIFICADO DEPOIS QUE AS IMAGENS FORAM EMBORA E JÁ NÃO SOUBE ENCONTRÁ-LAS PARA
AVERIGUAÇÕES
SEM
ÂNT
ICAS
ENTÃO, O TÍTULO SUMIU, DE FATO.
O corpo (até sabe, mas) não sobe.
O corpo atravessa, de trava-e-de-verso;
Degrau por Degrau, essa escada maiúscula,
Nas fissuras, a luz insinua-se como ranhura;
A escada, (que) esse corpo bordeja, velho e pulsante,
A escada não é só arquitetura, é passagem como pretexto ao verso;
Passagem física e liminaridade invisível, meu avesso, meu verso:
o entre mundos.
Subimos e descemos, e o que mais se move?!
O que mais se interpenetra como travessão, travessia?
O carro preto: aparece e desaparece,
uma luz invade o corpo,
luz que o projeta, o suspende, o recolhe.
Sombra que retorna no bem perto,
escala que se dobra,
janela que abre e fecha,
um intervalo no tempo.
De__grau Primúndio: SUBI E ME ESPATIFEI, BUFO!!
O que acontece durante o mexer de um corpo?
Que outras vidas… se movem… juntas?
Que vestígios se deixam, se levam?
O que constitui esse diálogo silencioso,
cruzo de luz e de sombra,
essa dança de presença e de ausência?
Este texto, inclusive - palavras, rascunhos.
Um bordado em construção - o texto, incluído;
também, a performance - o bordado dos corpos.
E uma escrita experimenta corpo;
[que experimenta um tempo,
que experimenta um espaço em aberto,
que experimenta imaginar, e que
experimenta ensaiar.]
De__grau Terceneeiro: AQUI REFESTELADO, COMO INVENTANDO BATENTE QUE NÃO EXISTE NO QUEBRAR DO MAR DE ITAPÕE, PORQUE A MIRAÇÃO QUEBRA, FAZ CAIR, BATE.
ANOTAÇÃO: O texto surgiu como rascunho de fórmula textual à proposição artística de Bruno Humberto, no trabalho Enciclopédia das Escadas, desdobrando a dimensão do espaço no ultrapassar do léxico das arkés, da arké+tessitura, da arquitetura, enquanto corpo borda, passagem ancestral, trânsito onde sobem, descem, atravessam e se reinventam, os quantos corpos. Entre luz que emerge e evanesce, o carro que joga escala, o som da bateria musical que se materializa, assim, o texto é experimento de ressoar com uma performance em seu movimento, som e silêncio, intensidades em um campo aberto onde múltiplas corporeidades habitam o espaço público compartilhado. Uma presença ativa(dora), um volume suspenso de tempo que resiste e se apresenta nas tensões com seu entorno. Não por acaso, o texto encar(N)a o ritmo, a pulsação e o mistério de um projeto que, a partir de Bruno, João, Mariana e Miguel, empreende o subir e o descer como transmutação da paisagem, uma dança de presença e memória no espaço situadas como transformação.
SOBRE AS IMAGENS: Tecnicamente, utiliza-se a frottage em grafite sobre papel de pauta para capturar a memória tátil e a aspereza das superfícies dos degraus, criando um volume visual denso que evoca o peso e a materialidade dos blocos de arquitetura. Em contraponto, o bordado em quilting com linha preta sobre algodão cru traça um ritmo contínuo, onde o percurso da linha se assemelha à cadência do subir e descer de uma escada, transformando o tecido em uma paisagem ritual. Essa dualidade poética entre o "bloco" e o "oco", a densidade do grafite e a leveza da linha, reflete o imaginário das escadas, degraus e batentes, entendidos não apenas como elementos arquitetônicos, mas como passagens físicas e simbólicas que registram o movimento, a presença e a memória do corpo em trânsito.
09/08/2025
Texto e fotos: Ed Freitas