24 Quarta 22h30 \\ Figueira da Foz - espaço público

VEM - Videoarte em Movimento

Fernando Sánchez Castillo • Shir Handelsman • Hsin-Yu Chen & Jessi Ali-Jin • Tânia Dinis • Katherinne Fiedler & Gabriel Alayza • Ilaria di Carlo • Kuang-Yu Tsui • Enrique Ramirez • Thenjiwe Niki Nkosi • Gary Hill • Santiago Sierra e Jorge Galindo • Carlos Aires

O VEM – Videoarte Em Movimento é uma experiência itinerante de fruição da criação visual em ambientes de transição e passagem. Durante o verão, uma carrinha viaja entre o Mediterrâneo e o Atlântico a exibir um programa composto por obras de videoartistas internacionais.

Trata-se de uma curadoria de perspectiva histórica – para que o seu visionamento a céu aberto, numa noite de verão, seja acessível e do interesse de todos os públicos. As projecções são realizadas em ambientes de pequena e média escala, retirando as obras do ambiente expositivo tradicional para levá-las a espaços abertos de projecção pública.


Políticas de Interferências

Todas as imagens registadas, documentadas e eventualmente ficcionadas pela Arte refletem, traduzem, ou têm como pano de fundo o resultado da intervenção humana na Terra. Esta ideia ultrapassa largamente a conhecida e prevalente agenda ambiental, que deplora as nossas atitudes de intromissão inconsequente na natureza, para dizer respeito a milénios de interposições de todo o tipo: em povos, em geografias, em paisagens, em objetos, em ecossistemas, em nações, em imagens, em corpos, em informações, em governos, em sentimentos. Pertencemos a uma existência marcada por interferências.


E tais intromissões podem tanto correr bem e serem virtuosas, positivamente evolutivas, quanto serem inconsequentes, gratuitas, descuidadas, dolosas na sua intenção. Tal intencionalidade determina a nossa história de ciclos e contraciclos de glórias e desgraças, construções e obliterações, conquistas e tragédias. E na qual, consoante a escala e o ângulo sob o qual olhamos, podemos ser tanto agentes quanto vítimas. Pertencemos também a uma existência marcada por políticas, portanto, na medida em que estas intenções e ações determinam a nossa idealização do mundo e os efeitos que dela saem sobre nós e sobre os outros.


Interferências e políticas são dois conceitos poderosos. E que ao transformarem-se em objetos de manifestação do olhar de diferentes artistas, abrem uma enorme paleta de possibilidades de diálogo e construção de significado sobre a qual a programação do VEM – Videoarte Em Movimento 2024 se procurou debruçar. Esta coleção de obras internacionais, e de diferentes épocas e contextos, traz um recorte das múltiplas possibilidades de diálogo que um artista visual pode desenvolver a partir destes dois dispositivos. E que serão exibidas, entre Lisboa e Madrid, a partir de uma carrinha que leva a videoarte a públicos de todas as gerações, em sessões noturnas e a céu aberto durante o alto verão.


Transformadas através da linguagem da imagem, estas ideias de interferências e políticas percorrem diferentes sentimentos e percepções. Como no balé mecânico de Fernando Sánchez Castillo, em «Pegasus Dance» (2007); no opus tour-de-force entre pessoas e equipamentos de Shir Handelsman, em «Recitative» (2019); nos close-ups simbólicos da incongruência entre máquinas e itens cotidianos de Hsin-Yu Chen & Jessi Ali-Jin , em «Semiotics of the Home» (2023); na paisagem interrompida de Tânia Dinis, em “Linha” (2016); na deslocação sonora na paisagem de Katherinne Fiedler & Gabriel Alayza, em «Lugar Común» (2016); na épica contemplação antropocênica de Ilaria di Carlo, em «Sirens» (2022); na aparentemente banal, e randômica, fuga do impacto da materialidade de Kuang-Yu Tsui, em «The Welcome Rain Falling from the Sky» (1997); no enigma espacial rumo a um encontro desconhecido de Enrique Ramirez, em «Cruzar el Muro» (2012); na dorida coleção de invisibilidades de Thenjiwe Niki Nkosi, em “The Same Track” (2023); na supressão de forças físicas de Gary Hill, em «Mediations» (1986); na meta-intervenção no poder de Santiago Sierra e Jorge Galindo, em «Los encargados» (2013); e na ironia poética que celebra a vitória da beleza sobre o poder e a violência de Carlos Aires, em «Sweet dreams are made of this» (2016). _ALISSON ÁVILA \\ MARIO GUTIÉRREZ \\ ANTÓNIO CÂMARA MAUEL



O Citemor vem a abordar a videoarte num regime de curadoria participada, com base numa parceria consolidada com a DuplaCena. Desde a primeira edição do Loops.Lisboa, em 2015, as três obras finalistas apresentadas no Museu Nacional de Arte Contemporânea integraram o programa do Citemor: no Museu Municipal Santos Rocha - Figueira da Foz, Casa das Artes - Fundação Bissaya-Barreto, em Coimbra, e em Montemor-o-Velho, em diversos espaços. A partir de 2020, optamos pela apresentação isolada de obras premiadas internacionalmente e seleccionadas no âmbito do comissariado da plataforma Loops.Expanded. Para esta edição, acolhemos na Figueira da Foz o VEM - Videoarte em Movimento, com um programa projetado ao ar livre, comentado por Mario Gutiérrez Cru.



Conceito e Direcção Artística Alisson Ávila e Irit Batsry

Direcção António Câmara Manuel

Curadoria Alisson Ávila, Irit Batsry e Mario Gutiérrez Cru

«Van Master», projecção, design e website Mario Gutiérrez Cru

Direcção de Produção Ana Calheiros

Assessoria de Imprensa Helena Marteleira

Comunicação Ana Calheiros, Helena Marteleira

Tradução e revisão de conteúdos Ana Calheiros, Mario Gutiérrez Cru

Apoio Técnico Alexandre Coelho

Produção DuplaCena

Produzido com a cumplicidade de PROYECTOR / Plataforma de Imagen en Movimiento, Madrid

Financiamento República Portuguesa – Cultura / Direção-Geral das Artes e Câmara Municipal de Lisboa



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