Sex 7 Ago 22h30
Fernando Renjifo + Shanti Vera
Estudios para un ecce homo
Sala C. - Montemor-o-Velho
Sex 7 Ago 22h30
Sala C. - Montemor-o-Velho
© FERNANDO RENJIFO
Estudos para um Ecce Homo é um projeto de colaboração entre o coreógrafo e bailarino mexicano Shantí Vera e o autor e encenador espanhol Fernando Renjifo. O projeto nasce de um desejo prolongado de colaboração entre ambos e tem como objetivo a investigação artística e a criação de uma peça a partir das práticas e dos universos criativos e poéticos de cada um.
O ser humano perante a imensidão do universo, perante o mundo, perante os outros, perante a sua própria inquietação moral e perante a consciência da sua finitude. Um tempo de contemplação para um corpo que se reconhece na estranheza de se saber lançado ao mundo. Um corpo presente que observa, que procura, que aprende, que insiste, que decide, que renuncia. Um corpo pensante, desejante, imaginante. A partir da palavra e da corporalidade, Shantí Vera e Fernando Renjifo constroem uma espécie de poema cénico que poderia ser um manifesto, uma paisagem, uma celebração.
Diz Shantí:
Este projeto é imaginado a partir do texto “Estudos para um Ecce Homo” que Fernando Renjifo escreveu em 2007, incluído no seu livro "Desde el exilio y el reino" (Continta me tienes, Madrid, 2021). Não é um texto de literatura dramática, embora seja cénico: é um texto-paisagem, um texto-manifesto, um texto-ponte entre passado e futuro. A colaboração que propomos tem como objetivo a criação de uma obra cénica que evidencie um corpo coletivo e finito, a partir da palavra e do corpo, do passado e do futuro.
Estes “estudos” dão continuidade a uma investigação artística de autoria sustentada por uma pergunta: qual é o lugar que ocupa o corpo dentro do mundo do capital integrado? Uma investigação artística que tanto Fernando como eu temos desenvolvido, cada um à sua maneira. A minha prática é uma aposta política e poética na defesa do corpo num país onde os corpos são quebrados e desaparecem (México). Este projeto é profundamente otimista perante o panorama que se nos apresenta enquanto humanidade: coloca as artes como território de pensamento sensível e como território de encontro sensível; coloca o corpo como primeiro território de pensamento sensível e como primeiro território de encontro sensível com o mundo. E pretende explorar uma semiótica corporal polívoca e coletiva.
A escrita de Fernando Renjifo tem sido fundamental na minha prática artística, sobretudo na última investigação que desenvolvi entre o México e a Alemanha desde 2019. A sua escrita vem do sul, não de um território geográfico, mas de um espaço ausente no imaginário dominante do mundo; a escrita de Fernando faz emergir corpos que escolhem deserto, floresta, mar, espaço; coreografia de sons, ruídos, pássaros, voos, corpos celestes, corrupções e renúncias.
Diz Fernando:
O modo como Shantí se pergunta sobre e se liga à dança, ao movimento, ao corpo e à forma de habitar a cena vem de um lugar de extrema sensibilidade poética e, ao mesmo tempo, de um profundo compromisso com o mundo. Em princípio, nada mais afim e provocador para mim. E isso aproxima-nos da forma como hoje se formulam certas perguntas que, pela simples maneira como são formuladas, abrem novos horizontes. Move-nos a vontade de explorar o terreno comum dessa afinidade poética, política, teórica, vital e sensível a partir das linguagens, bagagens e práticas de cada um. Há muitos anos que me fascina, enriquece e fertiliza o facto de dialogar e criar com coreógrafos-bailarinos. Sinto que, a partir de pontos de partida muito diversos ou afastados, por vezes ocorre uma alquimia que transcende o imaginável por cada um.
Este projeto permite-me revisitar um texto escrito há muito tempo a partir de outro momento, em diálogo com outra sensibilidade e com a vontade de explorar uma linguagem ainda por construir.
Criação, Coreografía e Interpretação Shantí Vera
Criação, Texto e Direção Fernando Renjifo
Desenho de iluminação Melissa Herrada
Colaboração Artística e Técnica Alberto Núñez
Composição Sonora Original Alberto Trabajos
Instalação Pictórica Victor Pueyo
Coprodução Box Levante – Centro escénico del Estrecho (Algeciras), Festival Citemor (Portugal) y Cuatro x Cuatro* (México)
Projeto em residência em Box Levante - Centro Escénico del Estrecho (Algeciras), Nau Ivanow (Barcelona) e Festival Citemor (Portugal).
M/12; 1h20