Sab 1 Ago 22h30
Rosa Romero
El discurso
Castelo - Montemor-o-Velho
Sab 1 Ago 22h30
Castelo - Montemor-o-Velho
© CAROLINA CEBRINO
Existe uma memória alojada no corpo que não pode ser mutilada, mesmo que seja ignorada. São saberes que viajam sem nome entre povoações, famílias e gerações. Têm que ver com a morte, com a vida, com a celebração; atravessam aquilo que é essencial, interpelam-nos a todas, são reconhecíveis e muito precisos, embora não possam ser explicados por palavras.
No entanto, para o sistema, existem diferentes tipos de saberes. Uns são estandarte, ouro, veludo, discurso, letras e pedestal. Outros, aqueles a que me refiro, são entendidos como periferia, acaso, fonte, potência e caverna. Os primeiros ocupam o espaço público e narram um mundo muito específico a partir do privilégio e do poder, apagando profundamente realidades inteiras. Nos segundos encontra-se tudo o que me interessa: a caverna onde procuro aquilo que sou, agora que a minha casa está a desaparecer.
Intitular esta obra El discurso é um caminho para a insubordinação, uma decisão firme de valorizar outras formas de expressão. Recuso-me a encaixar nos finais trágicos que a literatura dramática universal escreveu para as mulheres: um cânone que nos condena a tomar a palavra apenas no momento que antecede a morte, quando a voz já não representa uma ameaça. Não quero ser Lady Macbeth nem a Antígona de Sófocles, não quero morrer, não quero matar-me.
ROSA ROMERO
Direção, dramaturgia e interpretação Rosa Romero
Música ao vivo Gustavo Giménez
Vestuário Gloria Trenado
Iluminação e direção técnica Miguel Ruz
Som Jaime Tuñón
Acompanhamento artístico María Cabeza de Vaca e Silvia Balvín
Acessoria plástica Julia Valencia
Assistência de cenografia La ejecutora
Produção El Mandaito
Distribuição Luisa Hedo
M/16; 00h40
Estreia no Festival TNT, Teatre Principal de Terrassa (Espanha) a 25 de setembro.